
Carta de Solidariedade ao Movimento Ocupe Estelita
Diante das recentes investidas contra os armazéns do Cais José Estelita, a Sociedade Brasileira de Estudos Organizacionais (SBEO), dedicada ao estudo das organizações em suas diversas formas e dimensões, reitera, por meio da presente carta, sua solidariedade ao Movimento Ocupe Estelita, bem como seu repúdio à postura da Administração Pública Municipal neste caso e ao Consórcio Novo Recife, formado pelas empresas Ara Empreendimentos, GL Empreendimentos, Moura Dubeux Engenharia e Queiroz Galvão, responsáveis pelo Projeto Novo Recife, que foi aprovado sem a devida participação pública e contra o interesse comum.

Créditos da foto: Midia Ninja
O projeto Novo Recife teve seu alvará suspenso em 2014, diante das inúmeras irregularidades amplamente debatidas à época, e, a despeito da ausência de audiência pública e da participação popular, teve um novo alvará concedido pela Prefeitura Municipal do Recife, o que culminou na demolição de diversos armazéns, até a suspensão imediata, por ordem judicial, da licença concedida. Embora, segundo o Consórcio Novo Recife, a demolição tenha sido interrompida, ainda não se sabe precisar a extensão que a demolição alcançou.
Compreendemos que o debate público a respeito do rumos dados ao terreno em questão, considerado de valor histórico pelo Ministério Público, deve ser plural, transparente e inclusivo, contemplando os impactos socioambientais e assumindo que qualquer intervenção em um terreno dessa natureza deve proporcionar benefícios à sociedade recifense de maneira ampla, e não a um pequeno grupo de interesse. Entendemos também que é papel da Administração Pública zelar pelo interesse público e prestar serviços visando ao bem-estar social, não colocando acima desse propósito interesses econômicos que privilegiem pequenos grupos em detrimento de outros.
Da mesma forma, compreendendo as múltiplas configurações e potencialidades das organizações, consideramos legítima a reação do Movimento Ocupe Estelita, reiterando que o ato de se organizar pode, e deve, ser também um mecanismo de resistência e de defesa dos interesses públicos — sobretudo quando não nos sentimos representados pela Administração Pública. Nesse sentido, repudiamos qualquer ato de violência contra os ocupantes, seja oriundos da segurança privada ou pública. Acreditamos que é dever dos cidadãos apurar e cobrar explicações sobre os usos do patrimônio público e, nesse sentido, oferecemos nossa solidariedade aos integrantes do Movimento Ocupe Estelita.
04 de abril de 2019.
Diretoria da Sociedade Brasileira de Estudos Organizacionais



